terça-feira, 30 de abril de 2013

Os passos do Pastor


 Breve relato da vida de Dom Helder Câmara

Esta é a trajetória de um religioso, um homem do mundo e irmão dos pobres, na cidade do Recife em tempos de chumbo, em horas de agonia, quando era indispensável guiar seu rebanho na busca da esperança e da retomada da democracia.

Os Passos do Pastor não é a biografia de dom Helder Câmara, mas com certeza é um conjunto de flashes, momentos de uma vida rica que modificou a Igreja no Nordeste e no Brasil, e para além disso, sensibilizou os grandes do mundo.

O papa João Paulo II o chamou de “irmão dos pobres e meu irmão”, talvez porque mesmo na informalidade com que vestia sua condição de arcebispo, dom Helder nunca se afastou dos princípios da Igreja, apenas assegurou-se mais fortemente daqueles que exigem o exercício da caridade e do amor aos mais necessitados.

O começo de uma longa jornada

Helder Pessoa Câmara, que ficou conhecido como ícone da paz e irmão dos pobres, nasceu no dia 7 de fevereiro de 109, um domingo de Carnaval, em Fortaleza, Ceará. O pai, João Eduardo Torres Câmara Filho, era guarda-livros e crítico teatral. A mãe, Adelaide Pessoa Câmara, professora primária. Dos 13 filhos do casal, cinco morreram em 29 dias em conseqüência de uma epidemia de difteria.

O décimo primeiro filho recebeu o nome de Helder por escolha do pai, após descobrir um dicionário o significado da palavra: pequeno porto no norte da Holanda. O menino Helder fez a primeira comunhão aos 8 anos e aos 14 entrou no Seminário da Prainha de São José, onde fez os cursos preparatórios. Depois filosofia e teologia. Em 15 de setembro de 1931, aos 22 anos, foi ordenado padre. Para isso recebeu especial autorização da Santa Sé, em virtude de ainda não ter completado a idade mínima exigida para a ordenação, que era 24 anos.

Exerceu em Fortaleza suas atividades religiosas entre intelectuais e operários. Nunca foi vigário. Trabalhou ativamente da Liga Eleitoral Católica do Ceará e em 1934 ocupou o cargo de diretor do Departamento de Educação do Estado do Ceará. Em 1936 o padre Helder transferiu-se  para o Rio de Janeiro, onde foi nomeado assistente técnico do Secretário de Educação. Também foi nomeado pelo arcebispo do Rio de Janeiro, dom Sebastião Leme, diretor do ensino religioso e da renovação catequética do arcebispado.

Em seguida tornou-se inspetor de ensino do Ministério da Educação. Em 1946 desligou-se do ministério porque o novo arcebispo do Rio de Janeiro, dom Jaime de Barros Câmara (substituto de dom Sebastião) pretendia torná-lo seu bispo auxiliar. A sagração e nomeação só foram efetivadas em 1952. Como bispo auxiliar fundou o Banco da Providência e a Cruzada de São Sebastião, que prestava assistência social a favelados.

No Rio de Janeiro organizou o 36º Congresso Eucarístico Internacional e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), da qual foi secretário geral, e o Conselho Episcopal Latino Americano (Celam), do qual foi o vice-presidente. As duas entidades foram instrumentos de apoio para a implantação de um modelo de Igreja que tinha como base a opção preferencial pelos pobres. Com a morte do arcebispo de Olinda e Recife, dom Carlos Coelho, foi mandado para Pernambuco.

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O RECIFE COMEÇA A OUVIR SEU PASTOR

No dia 14 d março de 1964, dom Hélder Câmara foi indicado pelo papa Paulo VI para ocupar a Arquidiocese de Olinda e Recife. Por ocasião da nomeação, ele, que se encontrava em Roma (Itália) participando de uma reunião com leigos, declarou: "Volto de coração aberto a tudo e a todos, com sede de diálogo, na linha absoluta do Concílio Vaticano II".

Esse concílio, realizado de 1962 a 1965, definiu, entre outras coisas, compromisso com as soluções dos problemas sociais e econômicos e fortaleceu a Igreja progressista.

No dia 11 de abril, um sábado chuvoso, dom Hélder desembarcou às 15h30 no Aeroporto dos Guararapes, lotado por uma multidão. Em carro aberto, seguiu para a Matriz de Santo Antônio, na Avenida Dantas Barreto, centro da cidade. Debaixo de chuva, falou para milhares de pessoas, antes de deslocar-se para a residência oficial do arcebispo, na Avenida Rui Barbosa, nas Graças.

Em sua mensagem à multidão, dom Hélder disse que era "um nordestino falando a nordestinos com os olhos postos no Brasil, na América e no mundo. Um cristão dirigindo-se a cristãos, mas de coração aberto, ecumenicamente, para os homens de todos os credos e de todas as ideologias. Um bispo da Igreja Católica que, à imitação de Cristo, não vem ser servido, mas servir". No dia 12 de abril tomou posse como 30° bispo e 6° arcebispo de Olinda e Recife.

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A OPÇÃO PELOS POBRES

Um não-acomodado cutucador de consciências, definição completa para quem soube ser pastor-irmão na Arquidiocese de Olinda e Recife, nunca distanciado da definição proclamada pelo papa João Paulo II, na Ilha Joana Bezerra, no Recife: irmão dos pobres.

Radicalmente ecumênico, participou do Concílio Vaticano II oferecendo notáveis exemplos de dedicação  desassombrada, hoje refletidos  nas cartas enviadas de Roma, recentemente tornadas públicas.

O ponto mais consistente do viver de dom Hélder consistia na sua intensa solidariedade para com os pequeninos do mundo. E o testemunho da Irmã Agostinha, uma das suas admiradoras, é suficiente: "Como poucas pessoas no mundo, dom Hélder acreditava na força dos pequenos. Na força da união dos pequenos, que há de transformar o mundo, transformando a esperança redentora em realidade de justiça”.

Suas meditações escritas retratam sua preocupação com os amanhãs mundiais: "Quando a primavera irrompe só que foi despojado vibra com o milagre da ressurreição”. [...] "Das barreiras a romper a que mais custa e a que mais importa é, sem dúvida, a da mediocridade”. [...] "Quando sentires o primeiro sinal inconfundível de morte próxima, não te fies em ti... Agarra-te com a Graça. Aviva a crença na vida eterna Não peças um segundo a mais. Fecha os olhos e pula  no abismo de misericórdia  da compreensão divina."
Suas múltiplas utopias evangelizadoras, todas elas vivenciadas sob as pegadas do Homão de Nazaré, continuam sendo incorporadas ao ideário existencial de milhões, inclusive não-cristãos. Como helderistas, nunca helderetes, os pobres saberão divulgar efetivamente as suas mensagens, para uma inserção consciente de todos nos planos de Deus.

Os conscientes do mundo saberão transmitir aos mais jovens, os versinhos imorredouros do muito amado dom Hélder, o Peregrino da Utopia:

Que importa que ao chegar eu nem pareça pássaro.
Que importa que ao chegar eu venha me arrebentando,
Caindo aos pedaços,
Sem aprumo e sem beleza.
Fundamental é cumprir a missão
E cumpri-Ia até o fim“.

Fernando Antônio Gonçalves

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AÇÕES CONTRA A MISÉRIA

Na arquidiocese, dom Hélder realizou trabalho inovador. A Igreja de Olinda e Recife foi cenário de importantes experiências sociais. Fundou o Banco da Previdência para ajudar pessoas na faixa da miséria, que tinham direito à alimentação, atendimento médico, remédios, enxovais para bebê, cursos profissionalizantes.

Organizou o Encontro de Irmãos, movimento de pobres evangelizando pobres.

Diante de um problema, eles perguntam como Jesus reagiria e reagem da mesma forma. Criou a Operação Esperança, para organizar as pessoas e torná-las donas de seu destino. Fazem parte dela os Engenhos Taquari (em Sirinhaém), Guaretama (Bonito) e Ipiranga (Cabo de Santo Agostinho), comprados com dinheiro que recebeu de um prêmio e doados a 138 famílias para plantar e produzir.

Também integra a Operação Esperança a comunidade do Tururu, no Janga, em Paulista. São 23 hectares de terra que pertenciam à arquidiocese e foram doados a 343 famílias carentes.

Concebeu a Comissão de Justiça e Paz, defensora de presos políticos e perseguidos pela ditadura militar e dos excluídos da sociedade.   Foi precursor na luta contra a fome e a miséria no Brasil. Em 1990 lançou a campanha Ano 2000 sem Miséria. Só depois o País despertou para a gravidade do problema e surgiu a Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e pela Vida.

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UM PASSAGEIRO DA ESPERANÇA

Era como e o seu Deus não fosse onipotente. Como se tivesse dado a homens e mulheres o direito de definir seus destinos. Dom Helder sempre acreditou neles, como agentes transformadores da história.  Na sua vivência, Criador e criatura caminhavam juntos.  Enfrentou "problemas absurdos", assim dizia, mas sempre os compartiu com aqueles que estavam a seu lado. 

Seu otimismo, para quem não o conhecia, chegava a parecer exagerado. Sua fé plural contagiava os que não tinham fé, ou duvidavam dela, ou já a haviam perdido.  E tinha um jeito especial de traduzir essa convivência em gestos fraternos.

Encarava os desafios com paixão. Quanto mais grave o problema, mais apaixonado se mostrava. Frágil no corpo, era um homem de alma leve. Os desafios, em vez de arrefecer aquele corpo franzino, como que lhe davam forças. Tinha sempre, para aqueles que o cercavam, palavras de esperança. Palavras que só podem ser ditas por quem carrega essa esperança no seu íntimo.

Às vezes dizia "há momentos em que, tendo medo, não se pode demonstrar que tem".   É que talvez nunca o tivesse mesmo tido. Ou talvez pressentisse ser o duro preço a pagar pelas escolhas feitas. Ou talvez apenas visse para além do seu tempo. Aprendeu com o passado, viveu intensamente o presente, mas, sobretudo tinha os olhos e o coração no futuro.

Segundo teólogos respeitáveis, como Leonardo Boff, é o verdadeiro pai de uma teologia bem nossa, de compromisso com os oprimidos. De libertação. Teve presença inspiradora no Concílio Vaticano II, que procurou dar à Igreja um rosto mais próximo à realidade humana. Foi um combatente da liberdade, nos anos de chumbo do autoritarismo. Passou por todas as amarguras, e não era um homem amargo. Nunca perdeu a ternura. Fim de tarde e perguntei se não se considerava degredado no Recife, longe dos centros de decisão da Igreja. A resposta foi pronta:

"O maior problema da Igreja são hoje os pobres, a América Latina é o centro desse problema, o Brasil é o maior país da América Latina e o Nordeste a região mais pobre do Brasil. Logo, estou no lugar certo".

Era "irmãos dos pobres e meu irmão", assim disse João Paulo II. Que seu compromisso maior era com os deserdados. E traduziu esse amor com gestos concretos de fé. Por tudo que fez, o maior legado de dom Hélder é a marca de exemplo. Seus passos de pastor estão marcados na areia da história. Como um caminho.

José Paulo Cavalcanti Filho

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O ENFRENTAMENTO COM A DITADURA

Dom Hélder sempre esteve em evidência nos noticiários por causa dos pronunciamentos voltados para os problemas da humanidade.

Por denunciar ao mundo tortura a presos políticos no Brasil, foi perseguido pela ditadura militar que se instalou no País (de 1964 a 85). Vetaram a citação de seu nome nos meios de comunicação, no período de 1970 a 77. Tornou-se persona non grata para o regime autoritário, que o via como demagogo e comunista, e símbolo da resistência à ditadura para os defensores dos direitos humanos. Na madrugada do dia 25 de outubro de 1968, quatro homens metralharam sua residência, na Igreja das Fronteiras, na Boa Vista. Enquanto atiravam contra o muro, eles gritavam "morte ao arcebispo vermelho".   Quatro dias depois a casa de dom Hélder foi novamente ataca da, a tiros de revólver, às 11h30, disparados por homens que fugiram num automóvel.

No dia 27 de maio de 1969, o arcebispo sofreu um duro golpe. Padre Henrique Pereira Neto, seu colaborador na Arquidiocese de Olinda e Recife, foi encontrado trucidado no bairro Cidade Universitária, Recife. O crime é atribuído até hoje às forças de repressão. Feriram o pastor abatendo uma de suas ovelhas. E, no dia 4 de setembro de 1970, sua residência foi pintada com a frase "Brasil, ame-o ou deixe-o" e a bandeira nacional.

De 1970 a 73,  uma campanha o afastou do prêmio Nobel da Paz. O que muitos desconfiavam foi confirmado no livro Dom Hélder Câmara - Entre o poder e a profecia, de Nelson Piletti e Walter Praxedes, lançado em 1997. A revelação dos autores foi baseada em documentos da embaixada brasileira em Oslo (Noruega). Os documentos provam que o Governo Médici (1969 a 74) moveu, por meio da embaixada, uma campanha secreta contra a eleição do arcebispo para o Nobel da Paz.

Em 31 de julho de 1979, a revista Cadernos de Opinião foi apreendida no segundo número por conter entrevista com dom Hélder. Em outubro do mesmo ano, foi negado a oito deputados alemães, em visita ao Brasil, um encontro com o arcebispo. Alegou-se que no Recife existiam coisas mais importantes para serem visitadas. Apesar da abertura do Governo Figueiredo (o último dos generais da ditadura), o nome de dom Hélder continuava no índex das pessoas indesejadas pelo regime militar.

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ENCONTROS ESPECIAIS

Visitar dom Hélder em sua casa, na Igreja das Fronteiras, fez parte do roteiro de muita gente famosa. Por lá passaram políticos, ministros, governantes e até personalidades internacionais identificadas com seu trabalho em defesa dos direitos humanos. Quando estiveram no Recife, não deixaram de ir cumprimentá-lo os vencedores do Nobel da Paz Adolfo Perez Esquivel, argentino, e Desmond Tutu, da África do Sul.

Primeiro Nobel da Paz a visitar o Recife, o arquiteto e católico fervoroso Perez Esquivel esteve com dom Hélder em fevereiro de 1981. Em 1980 havia conquistado o prêmio por defender os direitos humanos em seu país, presidindo o Serviço de Paz e Justiça.

Esquivel apontou dom Hélder como um de seus grandes inspiradores (mantinha freqüentes contatos com o arcebispo e uma foto dele na parede de seu escritório). À imprensa, o argentino disse que dom Hélder era um candidato permanente ao Nobel da Paz "e muito mais merecedor do que eu, um simples discípulo dele".

Dom Hélder, que havia completado 72 anos na véspera da chegada de Esquivel, considerou  uma delicadeza do Pai a presença do irmão querido da não-violência. O bispo anglicano Desmond Tutu, Nobel da Paz de 1984, passou pela casa de dom Hélder no dia 18 de maio de 1987 com a esposa, Leh. O bispo veio ao Brasil pedir apoio para acabar com o racismo na África do Sul, que ficou conhecido como Apartheid.

Desmond Tutu justificou a visita a dom Hélder dizendo que ele era inspiração para os sul-africanos "na luta em direção à reconciliação em nosso país". Sobre a visita do Nobel da Paz, o arcebispo disse que ficava a mensagem de que "todos nós precisamos vencer os preconceitos que o próprio homem cria", citando o racismo como um deles.

Dom Helder era um cidadão do mundo. Seus encontros compreendiam muitos interesses, da política à arte.

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“IRMÃO DOS POBRES E MEU IRMÃO”

Muita emoção sentiu dom Hélder no dia 8 de julho de 1980, na primeira visita do papa João Paulo II ao Brasil e ao Recife.

Dele recebeu o título de "irmão dos pobres e meu irmão", diante de uma multidão que lotou o estacionamento da Ilha Joana Bezerra para a missa campal celebrada pelo papa.

Do encontro, dom Hélder guardou como lembrança uma fotografia que mantinha na sala de sua casa, nos fundos da Igreja das Fronteiras. Quando recebia repórteres para entrevistas, gostava de mostrar a foto na qual ele e o papa, segurando o solidéu, aparecem abraçados.

"Em vez de me passar um pito, por eu não estar usando o solidéu, o Santo Padre tirou o seu da cabeça e segurou numa das mãos", contava sorridente.

Em 15 de agosto de 1981, importante momento: o cinqüentenário de sacerdócio. Do Vaticano, uma semana antes, o papa João Paulo II enviou mensagem elogiando dom Hélder.

"Todos sabem e reconhecem como a benignidade de Deus o acumulou de dotes, talento e piedade. Ornando com esses dotes, desde a promissora juventude até hoje, tens conseguido cumprir numerosas missões de inestimável valor", disse o papa.

Quando completou 80 anos, em 1989, João Paulo II mandou telegrama desejando-lhe muitos anos de vida para continuar servindo principalmente aos irmãos pobres.

Em 1991, em sua segunda visita ao País, o papa, ao desembarcar em Natal (RN), foi recebido por cardeais brasileiros, bispos do Rio Grande do Norte e por dom Hélder Câmara, vestido com sua tradicional batina bege e o inseparável crucifixo de madeira pendurado no pescoço. João Paulo II cumprimentou cardeais e bispos, reservando apenas a dom Hélder um afetuoso abraço.

Em sua terceira visita ao Brasil, em outubro de 1997, João Paulo II teve encontro emocionante com dom Hélder. Ao chegar e sair da Catedral Metropolitana (RJ), o papa reservou alguns minutos para cumprimentar carinhosamente o arcebispo. "Irmão dos pobres e meu irmão", repetiu a saudação feita pela primeira vez em 1980.

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INTELECTUAL E HUMANISTA

Dom Hélder escreveu 22 livros traduzidos para 14 idiomas, entre eles o chinês, japonês, coreano, grego, holandês, dinamarquês e norueguês.

O primeiro, "Revolução dentro da paz", escrito em 1968, trata de vários temas como o papel da Igreja e a relação entre ciência e fé e países desenvolvidos e subdesenvolvidos.

O último livro, lançado em outubro de 1997, chama-se "Família: missão de amor".  Sua publicação foi motivada pela visita do papa João Paulo II ao Brasil para o 2° Encontro Mundial com as Famílias, realizado no Rio de Janeiro, naquele mês. Produzindo originalmente em português, francês e italiano, dom Hélder publicou textos que inspiraram peças de teatro, balés e a Sinfonia dos Dois Mundos.

A sinfonia, com música de Pierre Kaelin, é uma tentativa de ajudar a conscientizar os países ricos de que, sem mudanças pacíficas e profundas nos países industrializados, as transformações no Terceiro Mundo serão impossíveis. Sobre o arcebispo existem 352 títulos publicados em vários países.

Em 1974 recebeu o prêmio italiano de "Melhor escritor sobre os problemas do Terceiro Mundo" - uma entre as dezenas de distinções conferidas a ele. Em 1987 mereceu o Cristhoper Award, reservado para premiar, nos Estados Unidos, a melhor produção internacional de livros religiosos.

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PRÊMIOS
               
René Sande de Serviço Social
Concedido em 1962 pela 9ª. Conferência Internacional de Serviço Social do Rio de Janeiro

Memorial Juan XXIII 1969
Concedido em 1970 pela Sección Española de Pax Christi

Martin  Luter King
Concedido em 1970 pela cidade de Atlanta (EUA)

Internacional Viaggio
Concedido em 1970 pela Itália

Prix Hammarskjoeld
Concedido em 1970 pela Organisation Mondiale de 1apresse Diplomatique
(França)

Popular da Paz
Concedido em 1974 pela cidade de Oslo (Noruega)

Popular da Paz
Concedido em 1974 pela cidade Frankfurt (Alemanha)

Melhor Escritor sobre os problemas do Terceiro Mundo
Concedido em 1974 pela Itália

São Francisco
Concedido em 1975 pela North American Federation Third Ordes of S. Francis (Ohio - USA)

Voice of Justice (Indiana-USA)
Concedido em 1975 pelos índios americanos

Pacem in Terris Peace Freendom Award
Concedido em 1975 pela Catholic Internacional and Council (Indiana-USA)

Da Paz Victor Gollancz Humanity Award
Concedido em 1975 pela cidade de Londres (Inglaterra)

Thomas Merton
Concedido em 1976, pela cidade de Pittsburg (Pennsylvânia-USA)

Artesões da Paz
Concedido em 1982 pelo Servizio Missionário Giovani (Turim - Itália)

Ordinale ai Mérito dela Pace
Concedido em 1982 pela Comune di Dusino San Michele Asti (Itália)

Mahatma Ghandi
Concedido em 1982 pela TV Globo de São Paulo

Niwano Peace Prize
Concedido em 1983 pela Niwano Peace Foundation (Japão)

II XII Premio Internazionale Testimonianza
Concedido em 1985 pelas dioceses de Mileto, Della Nicotera e Tropea (Vibo Valentia-Itália)

Raoul Follereau
Concedido em 1986 pela Associazone Italiana Amici di Raou Raul Follereau (Roma-Itália)

Roma-Brasília Cidade da Paz
Concedido em 1986 pela Prefeitura de Roma (Itália)

Christophr Award for 1987
Concedido  em 1987 pela Though  the Gospel with Dom Hélder Câmara (EUA)

Nutrição - Troféu Nélson Chaves Curitiba (Paraná)
Concedido em 1992 pelo Centro Heleno Fragoso

Paul VI - Teacher of Peace a Ward
Concedido em 1992 pela Assembléia Nacional Pax Christi de Minnesota - (EUA)

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O BISPO DOS DESESPERADOS SE FOI NUMA NOITE DE AGOSTO

Ao completar 75 anos, em fevereiro de 1984, dom Hélder renunciou à Arquidiocese de Olinda e Recife por ter atingido a idade limite para o cargo, conforme o Direito Canônico. Mas somente em julho do ano seguinte deixou o cargo, após a posse do novo arcebispo, dom José Cardoso. Nos 21 anos em que esteve à frente da Igreja local, desenvolveu uma linha de trabalho declaradamente em favor dos mais pobres e na defesa dos direitos humanos.

Ao completar 80 anos, numa terça-feira de Carnaval, foi festejado pelo povo, que fez para ele um bolo gigante, repartido, depois do "Parabéns pra você", com uma multidão que foi abraçá-lo. Até o Bloco da Saudade apareceu e fez evoluções para o Dom da Paz.
O papa João Paulo II voltou a saudá-lo no aniversário. "Graças e consolações divinas a fim de continuar, em serena longevidade, servindo aos irmãos, sobretudo aos que sofrem a pobreza", disse o Santo Padre em sua mensagem.

Morreu aos 90 anos, no dia 27 de agosto de 1999, às 22h20, de insuficiência respiratória aguda, em sua residência, na Igreja da Fronteiras, onde morou por 31 anos. Estavam ao seu lado a secretária Zezita Cavalcanti e religiosas da Companhia das Filhas de Caridade, que cuidavam de sua alimentação.

Dom Helder foi sepultado na noite do dia 28, na frente do altar da Sé de Olinda. O arcebispo, considerado profeta por falar em nome do povo e de Deus, deixou a vida como o homem que fez a história da Igreja no Brasil desde 1940, a história latino-americana desde 1955 e a história da Igreja Católica desde o Concílio Vaticano II, realizado de 1962 a 1965.

Textos: Nara Lúcia Santana; José Paulo Cavalcanti Filho; Fernando Antônio Menezes.

Fotos: Arquivo do JC - João José, Geraldo Guimarães, Antônio Tenório, Aluísio Arruda, Renata Victor, Alcir Lacerda, Josenildo Tenório e Centro de Documentação Dom Helder Câmara.

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