Segundo o Ipea, os dados mostram que, ao nascer
no Brasil, o homem negro perde 1,73 ano de expectativa de vida por causa da
violência, enquanto que para o branco esse número cai para 0,71.
A reportagem é da Agência Estado, 17-10-2013.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea) sobre racismo no Brasil divulgado nesta quinta-feira, 17,
revelou que a possibilidade de um adolescente negro ser vítima de homicídio é
3,7 vezes maior do que um branco. Pelo levantamento, a expectativa de vida de
um homem brasileiro negro é menos que a metade a de um branco.
Os dados mostram que, ao nascer no Brasil, o
homem negro perde 1,73 ano de expectativa de vida por causa da violência,
enquanto que para o branco esse número cai para 0,71. As informações são
baseadas em um dos textos constantes no boletim. No artigo Segurança Pública e
Racismo Institucional, os autores Almir de Oliveira Júnior e Verônica Couto de
Araújo Lima, respectivamente pesquisador da Diretoria de Estudos e Políticas do
Estado das Instituições e da Democracia (Diest) do Instituto e acadêmica da
área de Direitos Humanos da Universidade de Brasília (UnB), falam da
desigualdade de acesso à segurança entre brancos e negros.
A conclusão é que a cor aumenta a
vulnerabilidade dos negros, que correm 8% mais chances de se tornar vítimas de
homicídio que um homem branco, ainda que nas mesmas condições de escolaridade e
características socioeconômicas. O estudo aponta que, mais de 60 mil pessoas
são assassinadas todos os anos no Brasil, e que a cada três pessoas mortas de
forma violenta, duas são negras.
A taxa de homicídio de negros é de 36,5 para
100 mil habitantes, com base em dados de 2010 do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE), cruzados com informações do Ministério da
Saúde. No caso dos brancos, esse número cai para 15,5. Ao se somar a população
residente nos 226 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes,
calcula-se que a possibilidade de um adolescente negro ser vítima de homicídio
é 3,7 vezes maior em comparação com os brancos.
Ao levar em conta agressões por parte de
policiais, os negros também são as vítimas em potencial. Segundo a Pesquisa
Nacional de Vitimização, 6,5% dos negros que sofreram uma agressão em 2009, um
ano antes de o IBGE coletar os dados que serviram de base para a pesquisa. O
Ipea classificou esse comportamento como racismo institucional, mas os
pesquisadores acreditam que o comportamento reflete as posições de diversos
outros grupos sociais.
Essas diferenças, apontou o Ipea, levam menos
negros a buscar ajuda policial em caso de agressão que os brancos. Enquanto
apenas 38,2% dos brancos não procuram a polícia nesses casos, esse porcentual
sobe para 61,8% quando se trata de negros. As informações vão constar em um
mapa do racismo no País, que deverá ser divulgado no próximo mês. O boletim
contém ainda seis outros artigos que tratam de temas como segurança pública,
pacificação de favelas e manifestações de junho.

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