O Papa Francisco foi saudado pela mídia
nacional como o portador das aspirações e ideais mais modernos e antenados,
como arauto do “politicamente correto”. Quando eleito líder máximo da Igreja
Católica em março, iniciou-se o “Domingo de Ramos” do Pontífice Romano e, na
época, dissemos que havia muito exagero nas manifestações de apreço da mídia.
Parecia-nos que estavam tentando sequestrar a voz do Papa em nome de
ideologias. Entendemos que a JMJ 2013 pode marcar a deterioração dessa relação
pela mídia politicamente engajada.
Na primeira viagem do Papa Francisco depois da
eleição, parece ter começado a “Semana Santa” do relacionamento do Sumo
Pontífice com os meios de comunicação. Na quarta-feira passada, dia 14/07,
enquanto visitava hospital dedicado ao tratamento e apoio de dependentes
químicos, o Santo Padre retomou um tema incômodo para a mídia “politicamente
correta”: a descriminação das drogas. O Papa Francisco retomou os ensinamentos
tradicionais da doutrina da Igreja Católica e confirmou que a descriminalização
das drogas não favorece a luta contra a difusão nem diminui a influência
maléfica das drogas sobre os indivíduos. Outras são as ações que realmente têm
impacto no combate à dependência de drogas. Eis o texto do Papa:
A chaga do tráfico de drogas, que favorece a violência e que semeia a
dor e a morte, exige da inteira sociedade um ato de coragem. Não é deixando
livre o uso das drogas, como se discute em várias partes da América Latina, que
se conseguirá reduzir a difusão e a influência da dependência química. É
necessário enfrentar os problemas que estão na raiz do uso das drogas,
promovendo uma maior justiça, educando os jovens para os valores que constroem
a vida comum, acompanhando quem está em dificuldade e dando esperança no futuro – Fonte: Papa Francisco, Discurso
do Santo Padre em visita ao Hospital Francisco de Assis.
Já dissemos em outro lugar que o uso de drogas
tem muito a ver com escravidão. Por este motivo, não é justo nem honesto com os
dependentes químicos tratar o assunto como um tema colateral, como uma questão
jurídica, simplesmente não é honesto. A drogadição é um drama humano e deve ser
tratado como um mal objetivo à vida das pessoas e de suas famílias. Quando o
Papa Francisco retoma o ensinamento eclesial católico e rejeita a manipulação
midiática do assunto, mesmo que particularmente amável com os dependentes,
garante a sadia solução para os que sofrem sob o domínio das drogas: a
liberdade da virtude. Em nenhum mundo possível o vício pode ser louvado em
contraposição às virtudes. Essa é a doutrina e o ensinamento cristão e
filosófico, desde Pedro até Bento XVI, e não será Francisco – que teve embates
homéricos com a presidente Christina Kirchner quando bispo – que vai dar
qualquer guinada à esquerda por pressão política.
Algo, porém, está para mudar com a visita do
Papa Francisco ao Brasil. Aposto que a partir dessa Jornada com os Jovens
levantar-se-ão vozes dissonantes ao Papa Francisco nos meios de comunicação
nacionais. Obviamente, os críticos não serão abertamente contrários ao Papa,
pois afinal, ele é o Papa “que faz a própria comida”, “que não anda em carro
caro”, “que não cede a poderosos”, “que não telefone de última geração”, “que
não gosta de pompa”. Práticas pessoas que, aliás, os seus aduladores da mídia
engajada não seguem absolutamente, mas que gostam de ver outros seguirem.
Provavelmente o caminho da crítica a Francisco colocará na conta de Bento XVI a
culpa por seu “conservadorismo”. Dir-se-á que o Papa Latino-americano não leva
mais adiante a agenda liberal por causa de Ratzinger. E quando não houver mais
razões externas, quando não se puder mais esconder o católico sob o Francisco,
dir-se-á que a Igreja Católica ainda é a mesma e que ainda não está pronta para
o mundo moderno.
by Robson Oliveira –

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