sexta-feira, 26 de julho de 2013

O início do fim: Papa Francisco condena a legalização das drogas


O Papa Francisco foi saudado pela mídia nacional como o portador das aspirações e ideais mais modernos e antenados, como arauto do “politicamente correto”. Quando eleito líder máximo da Igreja Católica em março, iniciou-se o “Domingo de Ramos” do Pontífice Romano e, na época, dissemos que havia muito exagero nas manifestações de apreço da mídia. Parecia-nos que estavam tentando sequestrar a voz do Papa em nome de ideologias. Entendemos que a JMJ 2013 pode marcar a deterioração dessa relação pela mídia politicamente engajada.

Na primeira viagem do Papa Francisco depois da eleição, parece ter começado a “Semana Santa” do relacionamento do Sumo Pontífice com os meios de comunicação. Na quarta-feira passada, dia 14/07, enquanto visitava hospital dedicado ao tratamento e apoio de dependentes químicos, o Santo Padre retomou um tema incômodo para a mídia “politicamente correta”: a descriminação das drogas. O Papa Francisco retomou os ensinamentos tradicionais da doutrina da Igreja Católica e confirmou que a descriminalização das drogas não favorece a luta contra a difusão nem diminui a influência maléfica das drogas sobre os indivíduos. Outras são as ações que realmente têm impacto no combate à dependência de drogas. Eis o texto do Papa:

A chaga do tráfico de drogas, que favorece a violência e que semeia a dor e a morte, exige da inteira sociedade um ato de coragem. Não é deixando livre o uso das drogas, como se discute em várias partes da América Latina, que se conseguirá reduzir a difusão e a influência da dependência química. É necessário enfrentar os problemas que estão na raiz do uso das drogas, promovendo uma maior justiça, educando os jovens para os valores que constroem a vida comum, acompanhando quem está em dificuldade e dando esperança no futuroFonte: Papa Francisco, Discurso do Santo Padre em visita ao Hospital Francisco de Assis.

Já dissemos em outro lugar que o uso de drogas tem muito a ver com escravidão. Por este motivo, não é justo nem honesto com os dependentes químicos tratar o assunto como um tema colateral, como uma questão jurídica, simplesmente não é honesto. A drogadição é um drama humano e deve ser tratado como um mal objetivo à vida das pessoas e de suas famílias. Quando o Papa Francisco retoma o ensinamento eclesial católico e rejeita a manipulação midiática do assunto, mesmo que particularmente amável com os dependentes, garante a sadia solução para os que sofrem sob o domínio das drogas: a liberdade da virtude. Em nenhum mundo possível o vício pode ser louvado em contraposição às virtudes. Essa é a doutrina e o ensinamento cristão e filosófico, desde Pedro até Bento XVI, e não será Francisco – que teve embates homéricos com a presidente Christina Kirchner quando bispo – que vai dar qualquer guinada à esquerda por pressão política.

Algo, porém, está para mudar com a visita do Papa Francisco ao Brasil. Aposto que a partir dessa Jornada com os Jovens levantar-se-ão vozes dissonantes ao Papa Francisco nos meios de comunicação nacionais. Obviamente, os críticos não serão abertamente contrários ao Papa, pois afinal, ele é o Papa “que faz a própria comida”, “que não anda em carro caro”, “que não cede a poderosos”, “que não telefone de última geração”, “que não gosta de pompa”. Práticas pessoas que, aliás, os seus aduladores da mídia engajada não seguem absolutamente, mas que gostam de ver outros seguirem. Provavelmente o caminho da crítica a Francisco colocará na conta de Bento XVI a culpa por seu “conservadorismo”. Dir-se-á que o Papa Latino-americano não leva mais adiante a agenda liberal por causa de Ratzinger. E quando não houver mais razões externas, quando não se puder mais esconder o católico sob o Francisco, dir-se-á que a Igreja Católica ainda é a mesma e que ainda não está pronta para o mundo moderno.


by Robson Oliveira – 

Nenhum comentário:

Postar um comentário