Breve relato da vida de Dom Helder Câmara
Esta é a trajetória de um religioso, um homem
do mundo e irmão dos pobres, na cidade do Recife em tempos de chumbo, em horas
de agonia, quando era indispensável guiar seu rebanho na busca da esperança e
da retomada da democracia.
Os Passos do Pastor não é a biografia de dom
Helder Câmara, mas com certeza é um conjunto de flashes, momentos de uma vida
rica que modificou a Igreja no Nordeste e no Brasil, e para além disso,
sensibilizou os grandes do mundo.
O papa João Paulo II o chamou de “irmão dos
pobres e meu irmão”, talvez porque mesmo na informalidade com que vestia sua
condição de arcebispo, dom Helder nunca se afastou dos princípios da Igreja,
apenas assegurou-se mais fortemente daqueles que exigem o exercício da caridade
e do amor aos mais necessitados.
O começo de uma longa jornada
Helder Pessoa Câmara, que ficou conhecido como
ícone da paz e irmão dos pobres, nasceu no dia 7 de fevereiro de 109, um
domingo de Carnaval, em Fortaleza, Ceará. O pai, João Eduardo Torres Câmara
Filho, era guarda-livros e crítico teatral. A mãe, Adelaide Pessoa Câmara,
professora primária. Dos 13 filhos do casal, cinco morreram em 29 dias em
conseqüência de uma epidemia de difteria.
O décimo primeiro filho recebeu o nome de
Helder por escolha do pai, após descobrir um dicionário o significado da
palavra: pequeno porto no norte da Holanda. O menino Helder fez a primeira
comunhão aos 8 anos e aos 14 entrou no Seminário da Prainha de São José, onde
fez os cursos preparatórios. Depois filosofia e teologia. Em 15 de setembro de
1931, aos 22 anos, foi ordenado padre. Para isso recebeu especial autorização
da Santa Sé, em virtude de ainda não ter completado a idade mínima exigida para
a ordenação, que era 24 anos.
Exerceu em Fortaleza suas atividades religiosas
entre intelectuais e operários. Nunca foi vigário. Trabalhou ativamente da Liga
Eleitoral Católica do Ceará e em 1934 ocupou o cargo de diretor do Departamento
de Educação do Estado do Ceará. Em 1936 o padre Helder transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde foi nomeado
assistente técnico do Secretário de Educação. Também foi nomeado pelo arcebispo
do Rio de Janeiro, dom Sebastião Leme, diretor do ensino religioso e da
renovação catequética do arcebispado.
Em seguida tornou-se inspetor de ensino do
Ministério da Educação. Em 1946 desligou-se do ministério porque o novo
arcebispo do Rio de Janeiro, dom Jaime de Barros Câmara (substituto de dom
Sebastião) pretendia torná-lo seu bispo auxiliar. A sagração e nomeação só
foram efetivadas em 1952. Como bispo auxiliar fundou o Banco da Providência e a
Cruzada de São Sebastião, que prestava assistência social a favelados.
No Rio de Janeiro organizou o 36º Congresso
Eucarístico Internacional e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB),
da qual foi secretário geral, e o Conselho Episcopal Latino Americano (Celam),
do qual foi o vice-presidente. As duas entidades foram instrumentos de apoio
para a implantação de um modelo de Igreja que tinha como base a opção preferencial
pelos pobres. Com a morte do arcebispo de Olinda e Recife, dom Carlos Coelho,
foi mandado para Pernambuco.
***
O RECIFE COMEÇA A
OUVIR SEU PASTOR
No dia 14 d março de 1964, dom Hélder Câmara
foi indicado pelo papa Paulo VI para ocupar a Arquidiocese de Olinda e Recife.
Por ocasião da nomeação, ele, que se encontrava em Roma (Itália) participando
de uma reunião com leigos, declarou: "Volto
de coração aberto a tudo e a todos, com sede de diálogo, na linha absoluta do
Concílio Vaticano II".
Esse concílio, realizado de 1962 a 1965,
definiu, entre outras coisas, compromisso com as soluções dos problemas sociais
e econômicos e fortaleceu a Igreja progressista.
No dia 11 de abril, um sábado chuvoso, dom
Hélder desembarcou às 15h30 no Aeroporto dos Guararapes, lotado por uma
multidão. Em carro aberto, seguiu para a Matriz de Santo Antônio, na Avenida
Dantas Barreto, centro da cidade. Debaixo de chuva, falou para milhares de
pessoas, antes de deslocar-se para a residência oficial do arcebispo, na Avenida
Rui Barbosa, nas Graças.
Em sua mensagem à multidão, dom Hélder disse
que era "um nordestino falando a nordestinos com os olhos postos no
Brasil, na América e no mundo. Um cristão dirigindo-se a cristãos, mas de
coração aberto, ecumenicamente, para os homens de todos os credos e de todas as
ideologias. Um bispo da Igreja Católica que, à imitação de Cristo, não vem ser
servido, mas servir". No dia 12 de abril tomou posse como 30° bispo e 6°
arcebispo de Olinda e Recife.
***
A OPÇÃO PELOS POBRES
Um não-acomodado cutucador de consciências,
definição completa para quem soube ser pastor-irmão na Arquidiocese de Olinda e
Recife, nunca distanciado da definição proclamada pelo papa João Paulo II, na
Ilha Joana Bezerra, no Recife: irmão dos
pobres.
Radicalmente ecumênico, participou do Concílio
Vaticano II oferecendo notáveis exemplos de dedicação desassombrada, hoje refletidos nas cartas enviadas de Roma, recentemente
tornadas públicas.
O ponto mais consistente do viver de dom Hélder
consistia na sua intensa solidariedade para com os pequeninos do mundo. E o
testemunho da Irmã Agostinha, uma das suas admiradoras, é suficiente: "Como poucas pessoas no mundo, dom
Hélder acreditava na força dos pequenos. Na força da união dos pequenos, que há
de transformar o mundo, transformando a esperança redentora em realidade de
justiça”.
Suas meditações escritas retratam sua
preocupação com os amanhãs mundiais: "Quando
a primavera irrompe só que foi despojado vibra com o milagre da ressurreição”.
[...] "Das barreiras a romper a que mais custa e a que mais importa é, sem
dúvida, a da mediocridade”. [...] "Quando sentires o primeiro sinal
inconfundível de morte próxima, não te fies em ti... Agarra-te com a Graça.
Aviva a crença na vida eterna Não peças um segundo a mais. Fecha os olhos e pula no abismo de misericórdia da compreensão divina."
Suas múltiplas utopias evangelizadoras, todas
elas vivenciadas sob as pegadas do Homão de Nazaré, continuam sendo
incorporadas ao ideário existencial de milhões, inclusive não-cristãos. Como
helderistas, nunca helderetes, os pobres saberão divulgar efetivamente as suas
mensagens, para uma inserção consciente de todos nos planos de Deus.
Os conscientes do mundo saberão transmitir aos
mais jovens, os versinhos imorredouros do muito amado dom Hélder, o Peregrino
da Utopia:
Que importa que ao
chegar eu nem pareça pássaro.
Que importa que ao
chegar eu venha me arrebentando,
Caindo aos pedaços,
Sem aprumo e sem
beleza.
Fundamental é cumprir
a missão
E cumpri-Ia até o
fim“.
Fernando Antônio Gonçalves
***
AÇÕES CONTRA A MISÉRIA
Na arquidiocese, dom Hélder realizou trabalho
inovador. A Igreja de Olinda e Recife foi cenário de importantes experiências
sociais. Fundou o Banco da Previdência para ajudar pessoas na faixa da miséria,
que tinham direito à alimentação, atendimento médico, remédios, enxovais para
bebê, cursos profissionalizantes.
Organizou o Encontro de Irmãos, movimento de
pobres evangelizando pobres.
Diante de um problema, eles perguntam como
Jesus reagiria e reagem da mesma forma. Criou a Operação Esperança, para
organizar as pessoas e torná-las donas de seu destino. Fazem parte dela os
Engenhos Taquari (em Sirinhaém), Guaretama (Bonito) e Ipiranga (Cabo de Santo
Agostinho), comprados com dinheiro que recebeu de um prêmio e doados a 138
famílias para plantar e produzir.
Também integra a Operação Esperança a
comunidade do Tururu, no Janga, em Paulista. São 23 hectares de terra que
pertenciam à arquidiocese e foram doados a 343 famílias carentes.
Concebeu a Comissão de Justiça e Paz, defensora
de presos políticos e perseguidos pela ditadura militar e dos excluídos da
sociedade. Foi precursor na luta contra
a fome e a miséria no Brasil. Em 1990 lançou a campanha Ano 2000 sem Miséria.
Só depois o País despertou para a gravidade do problema e surgiu a Ação da
Cidadania Contra a Fome, a Miséria e pela Vida.
***
UM PASSAGEIRO DA
ESPERANÇA
Era como e o seu Deus não fosse onipotente.
Como se tivesse dado a homens e mulheres o direito de definir seus destinos.
Dom Helder sempre acreditou neles, como agentes transformadores da
história. Na sua vivência, Criador e
criatura caminhavam juntos. Enfrentou
"problemas absurdos", assim dizia, mas sempre os compartiu com
aqueles que estavam a seu lado.
Seu otimismo, para quem não o conhecia, chegava
a parecer exagerado. Sua fé plural contagiava os que não tinham fé, ou
duvidavam dela, ou já a haviam perdido.
E tinha um jeito especial de traduzir essa convivência em gestos
fraternos.
Encarava os desafios com paixão. Quanto mais
grave o problema, mais apaixonado se mostrava. Frágil no corpo, era um homem de
alma leve. Os desafios, em vez de arrefecer aquele corpo franzino, como que lhe
davam forças. Tinha sempre, para aqueles que o cercavam, palavras de esperança.
Palavras que só podem ser ditas por quem carrega essa esperança no seu íntimo.
Às vezes dizia "há momentos em que, tendo
medo, não se pode demonstrar que tem".
É que talvez nunca o tivesse mesmo tido. Ou talvez pressentisse ser o
duro preço a pagar pelas escolhas feitas. Ou talvez apenas visse para além do
seu tempo. Aprendeu com o passado, viveu intensamente o presente, mas,
sobretudo tinha os olhos e o coração no futuro.
Segundo teólogos respeitáveis, como Leonardo
Boff, é o verdadeiro pai de uma teologia bem nossa, de compromisso com os
oprimidos. De libertação. Teve presença inspiradora no Concílio Vaticano II,
que procurou dar à Igreja um rosto mais próximo à realidade humana. Foi um
combatente da liberdade, nos anos de chumbo do autoritarismo. Passou por todas
as amarguras, e não era um homem amargo. Nunca perdeu a ternura. Fim de tarde e
perguntei se não se considerava degredado no Recife, longe dos centros de
decisão da Igreja. A resposta foi pronta:
"O maior problema
da Igreja são hoje os pobres, a América Latina é o centro desse problema, o
Brasil é o maior país da América Latina e o Nordeste a região mais pobre do
Brasil. Logo, estou no lugar certo".
Era "irmãos
dos pobres e meu irmão", assim disse João Paulo II. Que seu
compromisso maior era com os deserdados. E traduziu esse amor com gestos
concretos de fé. Por tudo que fez, o maior legado de dom Hélder é a marca de
exemplo. Seus passos de pastor estão marcados na areia da história. Como um
caminho.
José Paulo Cavalcanti Filho
***
O ENFRENTAMENTO COM A
DITADURA
Dom Hélder sempre esteve em evidência nos
noticiários por causa dos pronunciamentos voltados para os problemas da
humanidade.
Por denunciar ao mundo tortura a presos
políticos no Brasil, foi perseguido pela ditadura militar que se instalou no
País (de 1964 a 85). Vetaram a citação de seu nome nos meios de comunicação, no
período de 1970 a 77. Tornou-se persona non grata para o regime
autoritário, que o via como demagogo e comunista, e símbolo da resistência à
ditadura para os defensores dos direitos humanos. Na madrugada do dia 25 de
outubro de 1968, quatro homens metralharam sua residência, na Igreja das
Fronteiras, na Boa Vista. Enquanto atiravam contra o muro, eles gritavam
"morte ao arcebispo vermelho".
Quatro dias depois a casa de dom Hélder foi novamente ataca da, a tiros
de revólver, às 11h30, disparados por homens que fugiram num automóvel.
No dia 27 de maio de 1969, o arcebispo sofreu
um duro golpe. Padre Henrique Pereira Neto, seu colaborador na Arquidiocese de
Olinda e Recife, foi encontrado trucidado no bairro Cidade Universitária,
Recife. O crime é atribuído até hoje às forças de repressão. Feriram o pastor
abatendo uma de suas ovelhas. E, no dia 4 de setembro de 1970, sua residência
foi pintada com a frase "Brasil, ame-o ou deixe-o" e a bandeira
nacional.
De 1970 a 73,
uma campanha o afastou do prêmio Nobel da Paz. O que muitos desconfiavam
foi confirmado no livro Dom Hélder Câmara - Entre o poder e a profecia, de
Nelson Piletti e Walter Praxedes, lançado em 1997. A revelação dos autores foi
baseada em documentos da embaixada brasileira em Oslo (Noruega). Os documentos
provam que o Governo Médici (1969 a 74) moveu, por meio da embaixada, uma
campanha secreta contra a eleição do arcebispo para o Nobel da Paz.
Em 31 de julho de 1979, a revista Cadernos de
Opinião foi apreendida no segundo número por conter entrevista com dom Hélder.
Em outubro do mesmo ano, foi negado a oito deputados alemães, em visita ao
Brasil, um encontro com o arcebispo. Alegou-se que no Recife existiam coisas
mais importantes para serem visitadas. Apesar da abertura do Governo Figueiredo
(o último dos generais da ditadura), o nome de dom Hélder continuava no índex
das pessoas indesejadas pelo regime militar.
***
ENCONTROS ESPECIAIS
Visitar dom Hélder em sua casa, na Igreja das
Fronteiras, fez parte do roteiro de muita gente famosa. Por lá passaram
políticos, ministros, governantes e até personalidades internacionais
identificadas com seu trabalho em defesa dos direitos humanos. Quando estiveram
no Recife, não deixaram de ir cumprimentá-lo os vencedores do Nobel da Paz
Adolfo Perez Esquivel, argentino, e Desmond Tutu, da África do Sul.
Primeiro Nobel da Paz a visitar o Recife, o
arquiteto e católico fervoroso Perez Esquivel esteve com dom Hélder em
fevereiro de 1981. Em 1980 havia conquistado o prêmio por defender os direitos
humanos em seu país, presidindo o Serviço de Paz e Justiça.
Esquivel apontou dom Hélder como um de seus
grandes inspiradores (mantinha freqüentes contatos com o arcebispo e uma foto
dele na parede de seu escritório). À imprensa, o argentino disse que dom Hélder
era um candidato permanente ao Nobel da Paz "e muito mais merecedor do que
eu, um simples discípulo dele".
Dom Hélder, que havia completado 72 anos na
véspera da chegada de Esquivel, considerou uma delicadeza do Pai a presença do irmão
querido da não-violência. O bispo anglicano Desmond Tutu, Nobel da Paz de 1984,
passou pela casa de dom Hélder no dia 18 de maio de 1987 com a esposa, Leh. O
bispo veio ao Brasil pedir apoio para acabar com o racismo na África do Sul,
que ficou conhecido como Apartheid.
Desmond Tutu justificou a visita a dom Hélder
dizendo que ele era inspiração para os sul-africanos "na luta em direção à
reconciliação em nosso país". Sobre a visita do Nobel da Paz, o arcebispo
disse que ficava a mensagem de que "todos nós precisamos vencer os
preconceitos que o próprio homem cria", citando o racismo como um deles.
Dom Helder era um cidadão do mundo. Seus
encontros compreendiam muitos interesses, da política à arte.
***
“IRMÃO DOS POBRES E
MEU IRMÃO”
Muita emoção sentiu dom Hélder no dia 8 de
julho de 1980, na primeira visita do papa João Paulo II ao Brasil e ao Recife.
Dele recebeu o título de "irmão dos
pobres e meu irmão", diante de uma multidão que lotou o estacionamento
da Ilha Joana Bezerra para a missa campal celebrada pelo papa.
Do encontro, dom Hélder guardou como lembrança
uma fotografia que mantinha na sala de sua casa, nos fundos da Igreja das
Fronteiras. Quando recebia repórteres para entrevistas, gostava de mostrar a
foto na qual ele e o papa, segurando o solidéu, aparecem abraçados.
"Em vez de me
passar um pito, por eu não estar usando o solidéu, o Santo Padre tirou o seu da
cabeça e segurou numa das mãos", contava sorridente.
Em 15 de agosto de 1981, importante momento: o
cinqüentenário de sacerdócio. Do Vaticano, uma semana antes, o papa João Paulo
II enviou mensagem elogiando dom Hélder.
"Todos sabem e
reconhecem como a benignidade de Deus o acumulou de dotes, talento e piedade.
Ornando com esses dotes, desde a promissora juventude até hoje, tens conseguido
cumprir numerosas missões de inestimável valor", disse o papa.
Quando completou 80 anos, em 1989, João Paulo
II mandou telegrama desejando-lhe muitos anos de vida para continuar servindo
principalmente aos irmãos pobres.
Em 1991, em sua segunda visita ao País, o papa,
ao desembarcar em Natal (RN), foi recebido por cardeais brasileiros, bispos do
Rio Grande do Norte e por dom Hélder Câmara, vestido com sua tradicional batina
bege e o inseparável crucifixo de madeira pendurado no pescoço. João Paulo II
cumprimentou cardeais e bispos, reservando apenas a dom Hélder um afetuoso
abraço.
Em sua terceira visita ao Brasil, em outubro de
1997, João Paulo II teve encontro emocionante com dom Hélder. Ao chegar e sair
da Catedral Metropolitana (RJ), o papa reservou alguns minutos para
cumprimentar carinhosamente o arcebispo. "Irmão
dos pobres e meu irmão", repetiu a saudação feita pela primeira vez em
1980.
***
INTELECTUAL E
HUMANISTA
Dom Hélder escreveu 22 livros traduzidos para
14 idiomas, entre eles o chinês, japonês, coreano, grego, holandês, dinamarquês
e norueguês.
O primeiro, "Revolução dentro da
paz", escrito em 1968, trata de vários temas como o papel da Igreja e a
relação entre ciência e fé e países desenvolvidos e subdesenvolvidos.
O último livro, lançado em outubro de 1997,
chama-se "Família: missão de amor".
Sua publicação foi motivada pela visita do papa João Paulo II ao Brasil
para o 2° Encontro Mundial com as Famílias, realizado no Rio de Janeiro, naquele
mês. Produzindo originalmente em português, francês e italiano, dom Hélder
publicou textos que inspiraram peças de teatro, balés e a Sinfonia dos Dois
Mundos.
A sinfonia, com música de Pierre Kaelin, é uma
tentativa de ajudar a conscientizar os países ricos de que, sem mudanças
pacíficas e profundas nos países industrializados, as transformações no
Terceiro Mundo serão impossíveis. Sobre o arcebispo existem 352 títulos
publicados em vários países.
Em 1974 recebeu o prêmio italiano de
"Melhor escritor sobre os problemas do Terceiro Mundo" - uma entre as
dezenas de distinções conferidas a ele. Em 1987 mereceu o Cristhoper Award,
reservado para premiar, nos Estados Unidos, a melhor produção internacional de
livros religiosos.
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PRÊMIOS
René Sande de Serviço Social
Concedido em 1962 pela 9ª. Conferência
Internacional de Serviço Social do Rio de Janeiro
Memorial Juan XXIII 1969
Concedido em 1970 pela Sección Española de Pax
Christi
Martin
Luter King
Concedido em 1970 pela cidade de Atlanta (EUA)
Internacional Viaggio
Concedido em 1970 pela Itália
Prix Hammarskjoeld
Concedido em 1970 pela Organisation Mondiale de
1apresse Diplomatique
(França)
Popular da Paz
Concedido em 1974 pela cidade de Oslo (Noruega)
Popular da Paz
Concedido em 1974 pela cidade Frankfurt
(Alemanha)
Melhor Escritor sobre os problemas do Terceiro
Mundo
Concedido em 1974 pela Itália
São Francisco
Concedido em 1975 pela North
American Federation Third Ordes of S. Francis (Ohio
- USA )
Voice of Justice (Indiana-USA)
Concedido em 1975 pelos índios americanos
Pacem in Terris Peace Freendom
Award
Concedido em 1975 pela Catholic Internacional
and Council (Indiana-USA)
Da Paz Victor Gollancz Humanity Award
Concedido em 1975 pela cidade de Londres
(Inglaterra)
Thomas Merton
Concedido em 1976, pela cidade de Pittsburg
(Pennsylvânia-USA)
Artesões da Paz
Concedido em 1982 pelo Servizio Missionário
Giovani (Turim - Itália)
Ordinale ai Mérito dela Pace
Concedido em 1982 pela Comune di Dusino San Michele Asti (Itália)
Mahatma Ghandi
Concedido em 1982 pela TV Globo de São Paulo
Niwano Peace Prize
Concedido em 1983 pela Niwano Peace Foundation
(Japão)
II XII Premio Internazionale Testimonianza
Concedido em 1985 pelas dioceses de Mileto,
Della Nicotera e Tropea (Vibo Valentia-Itália)
Raoul Follereau
Concedido em 1986 pela Associazone Italiana
Amici di Raou Raul Follereau (Roma-Itália)
Roma-Brasília Cidade da Paz
Concedido em 1986 pela Prefeitura de Roma
(Itália)
Christophr Award for 1987
Concedido
em 1987 pela Though the Gospel
with Dom Hélder Câmara (EUA)
Nutrição - Troféu Nélson Chaves Curitiba
(Paraná)
Concedido em 1992 pelo Centro Heleno Fragoso
Paul VI - Teacher of Peace a Ward
Concedido em 1992 pela Assembléia Nacional Pax
Christi de Minnesota - (EUA)
***
O BISPO DOS DESESPERADOS
SE FOI NUMA NOITE DE AGOSTO
Ao completar 75 anos, em fevereiro de 1984, dom
Hélder renunciou à Arquidiocese de Olinda e Recife por ter atingido a idade
limite para o cargo, conforme o Direito Canônico. Mas somente em julho do ano
seguinte deixou o cargo, após a posse do novo arcebispo, dom José Cardoso. Nos
21 anos em que esteve à frente da Igreja local, desenvolveu uma linha de
trabalho declaradamente em favor dos mais pobres e na defesa dos direitos
humanos.
Ao completar 80 anos, numa terça-feira de
Carnaval, foi festejado pelo povo, que fez para ele um bolo gigante, repartido,
depois do "Parabéns pra você", com uma multidão que foi abraçá-lo.
Até o Bloco da Saudade apareceu e fez evoluções para o Dom da Paz.
O papa João Paulo II voltou a saudá-lo no
aniversário. "Graças e consolações divinas a fim de continuar, em serena
longevidade, servindo aos irmãos, sobretudo aos que sofrem a pobreza",
disse o Santo Padre em sua mensagem.
Morreu aos 90 anos, no dia 27 de agosto de
1999, às 22h20, de insuficiência respiratória aguda, em sua residência, na
Igreja da Fronteiras, onde morou por 31 anos. Estavam ao seu lado a secretária
Zezita Cavalcanti e religiosas da Companhia das Filhas de Caridade, que
cuidavam de sua alimentação.
Dom Helder foi sepultado na noite do dia 28, na
frente do altar da Sé de Olinda. O arcebispo, considerado profeta por falar em
nome do povo e de Deus, deixou a vida como o homem que fez a história da Igreja
no Brasil desde 1940, a história latino-americana desde 1955 e a história da
Igreja Católica desde o Concílio Vaticano II, realizado de 1962 a 1965.
Textos: Nara Lúcia Santana;
José Paulo Cavalcanti Filho; Fernando Antônio Menezes.
Fotos: Arquivo do JC - João
José, Geraldo Guimarães, Antônio Tenório, Aluísio Arruda, Renata Victor, Alcir
Lacerda, Josenildo Tenório e Centro de Documentação Dom Helder Câmara.




