quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Onde nasceu Jesus?


Para Mateus (2:1) e Lucas (2:6-7) a resposta é peremptória: Belém. Já Marcos omite a Natividade. E em João 7:42, Belém é mera referência contextual. Estes dois últimos dos quatro evangelistas sugerem que Jesus nasceu em Nazaré (Marcos 1:9, 1:24, 6:1, 6:4, 10:47, 14:67 e 16:6; João 1:45""46 e 7:40""44). Atos dos Apóstolos faz referências a "Jesus de Nazaré" e a "Jesus Cristo de Nazaré".

Belém ou Nazaré? Para complicar, há hoje uma cidade chamada Belém em Israel e outra no território árabe que Israel ocupa. Quanto a Nazaré, tempestuosa polêmica.

Nem o Velho Testamento nem a Tanakh (Bíblia judaica) nem o Talmud (compêndio doutrinário que suplementa a Tanakh) mencionam a cidade. A mais antiga referência documental a Nazaré data do século 4. Achados arqueológicos em área geodésica onde ela poderia ter existido antes atestam apenas rústico arraial de lavradores.

Já Belém é histórica. Segundo Lucas 2:1-7, censo decretado pelo imperador Augusto exigia que todos os súditos de Roma deveriam alistar-se, cada um na cidade dos ancestrais. Pelo que José teria de ir de Nazaré "[...] à Cidade de Davi, chamada Belém, porque [José] era da casa e família de Davi [...]".

Contudo, gente prática, aos romanos interessava apenas calcular quanto imposto cada contribuinte poderia pagar. Para isso faziam censos, mas regionais, nunca em todo o império. Muito menos com obrigação de cada contribuinte se alistar na cidade dos antepassados. Nenhum chefe de família precisava sair de onde morasse para declarar seus bens.

Por que então José iria sujeitar Maria, em vésperas de parto, a tão perigosa e incômoda viagem –120 quilômetros a pé ou no lombo de cavalgadura, da Galileia à Judeia? Difícil não ver ficção de propaganda nas genealogias e natividades (criadas pelos mesmos dois autores). Objetivo: credenciar Jesus como o Messias.

Os cognomes hebraicos Mashiach ou Mashiah, e o grego Christos, significam "ungido". Aludem ao rito no qual um sacerdote ou profeta besuntava com azeite a cabeça do líder ao consagrá-lo rei. No messianismo judaico, futuramente Mashiah governará o mundo a partir de Jerusalém. Os primeiros cristãos acreditavam que Jesus iria revelar-se no papel escatológico de Messias a qualquer momento.

Na Judeia então ocupada e governada por romanos, quase todo judeu pertencia a uma seita que era também partido nacionalista: essênios, fariseus, saduceus, zelotes. À margem, crescia petulante grupo de judeus heréticos, os "nazarenos", nome de etimologia não gentílica pelo qual judeus referem os cristãos ainda hoje.

Esses protocatólicos proclamavam que Jesus era o Messias das profecias referidas em Miqueias, Isaías, Zacarias e nos Salmos. Pois ele não era divino (como os milagres atestavam), descendente de Davi e nascido em Belém (como garantiam as genealogias e a Natividade)? Até Jesus acreditava (Mateus 26:64, Marcos 14:62, João 4:26 e João 10:23-25), embora nem sempre confiante (Lucas 22:67-68).

Paulo morreu bem antes de sua seita cristã começar a denominar-se católica (do grego, katholikos, "universal"). Mas já então a linha universalista paulina (Cristo para todos, com dispensa de circuncisão) prevalecera sobre a nacionalista de Pedro (cristianismo apenas para judeus circuncidados).

Paulo vacilava quanto a Parusia, a questão teológica da Segunda Vinda de Jesus: Paulo a presenciaria em vida ou ela se daria apenas em futuro indeterminado? Certo é que nenhuma escritura atribuída a Paulo menciona nem Belém nem Nazaré.

Já prospectos de turismo...

ALDO PEREIRA, 81, é ex-editorialista e colaborador especial da Folha. aldopereira.argumento@uol.com.br

Fonte: Folha de São Paulo - Tendências / Debates

domingo, 22 de dezembro de 2013

25 anos sem Chico Mendes - Uma pequena biografia


Quem foi

Chico Mendes (nome completo: Francisco Alves Mendes Filho) foi um dos mais importantes ambientalistas (pessoas que lutam em defesa da preservação do meio ambiente) brasileiros. Nasceu na cidade de Xapuri (estado do Acre) no dia 15 de dezembro de 1944. Trabalhou na região da Amazônia, desde criança, com seu pai, como seringueiro (produzindo borracha). Tornou-se vereador e sindicalista.

Principais momentos de sua vida:

Ü      1975 – É fundado o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia. Chico Mendes aceitou o convite para ser secretário geral da instituição.
Ü      1976 – Começou a organizar os seringueiros para lutarem em defesa da posse de terra.
Ü      1977 – Participou da fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri. Neste mesmo ano, foi eleito vereador pelo MDB (Movimento Democrático Brasileiro)
Ü      1978 – Começou a receber ameaças dos fazendeiros locais, descontentes com sua atuação sindical.
Ü      1980 – Participou da fundação do Partidos dos Trabalhadores (PT), tornando-se dirigente do partido no estado do Acre. Neste mesmo ano, foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional a pedido de fazendeiros da região, que o acusavam de envolvimento no assassinato de um capataz de uma fazenda. Foi absolvido por falta de provas.
Ü      1981 – Tornou-se presidente do Sindicato de Xapuri.
Ü      1982 – Candidatou-se a deputado estadual pelo PT, porém não conseguiu eleger-se.
Ü      1985 – Organizou o 1º Encontro Nacional de Seringueiros. Participou da fundação do CNS (Conselho Nacional dos Seringueiros). Participou da proposta do “União dos Povos da Floresta”, que previa a união dos interesses dos seringueiros e indígenas na defesa da floresta amazônica.
Ü      1987 – Recebeu em Xapuri uma comissão da ONU (Organização das Nações Unidas), mostrando a devastação causada na floresta amazônica por empresas financiadas pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). Após levar as denúncias ao senado dos Estados Unidos, o BID suspendeu os financiamentos a estas empresas.
Ü      1987 – Recebeu vários prêmios na área de ecologia e meio ambiente em função de sua luta em defesa da floresta amazônica e de seus povos nativos. O mais importante destes prêmios foi o “Global 500”, entregue pela ONU.
Ü      1988 – Participou da criação das primeiras reservas extrativistas no Acre. Foi eleito suplente da direção nacional da CUT (Central Única dos Trabalhadores) durante o 3º Congresso Nacional da CUT.
Ü      22 de dezembro de 1988 – Chico Mendes foi assassinado na porta de sua casa. Deixou esposa (Ilzamar Mendes) e dois filhos pequenos (Sandino e Elenira).

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Bibliografia indicada:

Chico Mendes - um povo da floresta
Autor: Martins, Edilson
Editora: Garamond
Temas: Biografia, Memórias, Meio Ambiente

Chico Mendes
Autor: Criado, Alex
Editora: Salesiana
Temas: Biografia, Meio Ambiente

A História de Chico Mendes para crianças
Autor: Reis, Fátima
Editora: Prumo

Temas: Biografia, Educação Ambiental