Atualmente nos deparamos com certas mudanças
que nos surpreendem e que chegam a nos questionar sobre até onde é capaz de ir
o homem com a sua mentalidade secularizada.
É importante saber o que vem a ser
“secularização”, pois por vezes vivemos a nossa vida sem perceber o que
realmente acontece na nossa sociedade, ao nosso redor. Chegamos a aplaudir
fatos e acontecimentos sem que percebamos o imenso mal que podem nos fazer.
Diariamente recebemos muitas informações que são fontes de uma espécie de
“indiferentismo religioso e do ateísmo nas suas mais variadas formas,
particularmente naquela que hoje talvez seja a mais espalhada: a do
secularismo” (CL, 13.4).
Para que se possa entender o que é
secularização, e também por que o Santo Padre pede com urgência uma nova
evangelização, é bom citar alguns exemplos que ainda são atuais: tivemos há
pouco tempo notícias de cientistas que conseguiram colocar uma orelha humana em
um rato, também fizeram um clone de uma ovelha. Isso teve repercussão no mundo
inteiro, tornando-se uma questão de ética, de moral, pois abriu a possibilidade
de se criar clones humanos. É verdade que a tecnologia, a informação, a
informática e a ciência trazem grandes benefícios; mas quando valorizam a
pessoa humana só pelo que ela tem e não pelo que ela é de fato, deixam de ser
benefícios para se tornarem um mal.
Mas, o que é realmente secularização? Segundo o
Dicionário de Conceitos Fundamentais de Teologia, secularização “designa o
processo, iniciado na Idade Média e que continuou a manifestar-se nos tempos
modernos, de afastamento, separação e emancipação, praticamente de todos os
campos do universo da vida humana, do contexto de sentido fornecido pela fé
cristã” (DCFT, 81).
Em outras palavras, o homem usa de seus
conhecimentos técnicos, dons concedidos gratuitamente por Deus, de uma forma
errada, ou que o fascinam por suas próprias conquistas, esquecendo-se de que é
uma criatura. Assim, torna-se atual a velha tentação de “querer ser como Deus”
(Gn 3,5). Usando de uma liberdade sem parâmetros, o homem vai eliminando as
raízes religiosas que estão no fundo do seu ser. Ele vai esquecendo-se de Deus.
Muitos quiseram propagar a “morte de Deus” na cabeça e no coração do povo.
Apesar de não terem conseguido muita coisa, ainda hoje há alguns que querem ser
“Deus”, ou tornar Deus um ser insignificante, sem valor.
A secularização atinge muitos setores da vida
humana, roubando-lhes o sentido de pertencer a Deus e tê-lo como pertença
maior. Não só o indivíduo, mas a família, a comunidade, a sociedade entram
nesse sistema, e por isso o Santo Padre grita pela nova evangelização, por um
retorno a Deus, porque uma vez secularizado, o homem tornou-se só, vazio,
amargo, triste e perdido. Roda em círculos procurando uma felicidade que pensa
estar nas suas descobertas, fora de Deus, ou seja, uma felicidade em que ele é
o centro de tudo, o que não é verdade, bem sabemos.
É um grande desafio para a evangelização
enfrentar neste mundo cada vez mais secularizado. É um grande desafio
apresentar Jesus a este mundo descrente que prefere apostar em si mesmo do que
se deixar amar por Deus. Mas não deve ser um desestímulo para nós, que
acreditamos e experimentamos a cada dia o amor de Deus, muito pelo contrário,
quanto mais se observar que o mundo está mergulhado em uma cultura
secularizada, se afastando de Deus, que o homem não ama mais a seu Deus e ao
seu próximo, aí é que devemos anunciar o Amor. “Apesar de tudo, portanto, a
humanidade pode e deve ter esperança: o Evangelho vivo e pessoal, Jesus Cristo
em pessoa, é a “notícia” nova e portadora de alegria que a Igreja cada dia
anuncia e testemunha a todos os homens” (CL 19,7). Não podemos desanimar uma
vez que temos Jesus Cristo como centro de nossas vidas.
Lutemos, pois, para que Deus seja novamente
posto no seu devido lugar: o coração do homem, o coração da sociedade.
